Impactos Industriais: quais são os efeitos na indústria 4.0?

O que é a indústria 4.0?

Muito se tem falado, atualmente, sobre a chamada “indústria 4.0” e os seus possíveis impactos na sociedade. Mas, afinal, em que exatamente consiste esse termo?

De acordo com os principais representantes do segmento de tecnologia, a indústria 4.0 pode ser definida como uma interconexão entre inteligência artificial, processos produtivos e sistemas, e pode unir cada etapa da produção de uma indústria em um “todo”. Dessa forma, é capaz de torná-la mais dinâmica, eficiente, limpa, personalizável, barata e sustentável.

No entanto, para entendermos melhor os seus fundamentos, seria interessante fazermos uma espécie de “volta no tempo”, relacionando essa “nova indústria” com a indústria tradicional — da forma como a conhecemos.

A famosa Revolução Industrial (que pode muito bem ser definida como a Indústria 1.0), ocorrida entre o final do século XVIII e início do século XIX, foi a responsável pelo chamado “esplendor da produção de bens de consumo”, apesar dos terríveis impactos industriais causados ao meio ambiente.

Essa fase é marcada pelo início do processo de esvaziamento do campo (em favor da cidade), grande desenvolvimento de tecnologias e uma grande demanda por produtos manufaturados — o que, sem dúvida, fez do aumento do consumo a sua principal característica.

Alguns séculos deveriam transcorrer, até que o homem pudesse assistir ao que hoje é chamado de “ 4ª Revolução Industrial” ou Indústria 4.0, que consiste, basicamente, nessa mesma produção de bens de consumo, só que tendo como protagonista agora a inteligência artificial, por meio da utilização de dispositivos inteligentes em todas as suas etapas — desde a aquisição de matéria-prima até a entrega do produto final ao consumidor.

Baseadas em inovações tecnológicas como a Internet das Coisas, sistemas Cyber-Físicos (a informática para a interação homem x meio) e Internet dos Serviços (Youtube, e-mail, redes sociais etc.), as etapas da indústria manufatureira agora se tornam bem mais autônomas (descentralizadas), dinâmicas, baratas e eficientes. Assim, os impactos da indústria no meio ambiente são infinitamente menores.

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Com a ajuda da inteligência artificial, as etapas dos processos produtivos ocorrem em perfeita sintonia. 

No entanto, o termo Indústria 4.0 é relativamente novo. Suas origens remontam ao ano de 2011, na cidade de Hannover, Alemanha.

Durante uma importante feira de tecnologia, um grupo de empresários ligados ao ramo convidou o governo alemão a, digamos, cooperar com as empresas desse segmento e com as universidades, com o objetivo de empreender uma verdadeira revolução na forma como as indústrias realizam os seus processos produtivos.

A ideia era a de que o país poderia ser uma espécie de “porta-voz” de um novo modelo de produção, onde os sistemas de informática (especificamente a inteligência artificial) fossem os principais protagonistas durante a produção.

Não demorou para que, em 2013, os representantes desse segmento de tecnologia publicassem, durante os eventos da Feira de Hannover, um projeto explicando as principais características do que seria essa Indústria 4.0.

Em poucas palavras, trata-se da interligação entre todas as etapas da produção, inclusive do maquinário, capital imobilizado e sistemas, em prol da formação de uma “rede inteligente”, capaz de dar-lhes independência, agilidade, eficiência e, por tabela, diminuir os impactos ambientais — tão característicos da indústria.

Quais são os princípios da Indústria 4.0?

De acordo com o professor, economista e ex-ministro da Fazenda, Antonio Delfim Netto, em entrevista ao site da Folha, a Indústria 4.0 “incorpora ao processo produtivo o uso das fantásticas tecnologias de informação e de inteligência artificial”.

No entanto, essa guinada de 180° na maneira como se realizam os processos produtivos durante a 4ª Revolução Industrial está intimamente ligada a um conjunto de princípios que a norteia e, de certa forma, cria os seus alicerces.

Os princípios básicos são:

1.Descentralização dos processos

Na Indústria 4.0, cada etapa da produção é pensada para atuar de forma independente, onde cada módulo de produção contribui para o perfeito funcionamento das demais.

Dessa forma, cada fase atenderá e emitirá comandos, muitas vezes, relacionados com as etapas subsequentes, por meio da utilização de sistemas Cyber-Físicos durante o processo.

2.Análises em tempo real

Aqui entra a poderosa função de sistemas como o Big Data, por exemplo. Com eles, é possível obter informações de mercado, concorrência, satisfação dos clientes, estado dos equipamentos, impacto da indústria no meio ambiente, entre outros dados capazes de garantir a velocidade com que ocorrem os procedimentos e as atualizações.

3.Modularidade

Nesse caso, trata-se de alterar sensivelmente a forma de utilização das máquinas e equipamentos durante os processos.

Agora, um maquinário deverá ser capaz de desmembrar-se para que possa ser utilizado em uma outra fase, ou, até mesmo, em uma outra etapa da logística.

4.Realidade virtual das etapas

Apesar de não ser nenhuma novidade, a reprodução de todas as etapas da produção no ambiente virtual é potencializada nessa chamada 4ª Revolução Industrial.

Por meio de sistemas Cyber-físicos, é possível implantar câmeras e sensores que farão uma espécie de “desenho” ou representação de todas essas fases no computador.

Esse procedimento garante maior eficiência, diminui as possibilidades de erros, prevê outros, além de facilitar a tomada de decisões que os corrijam.

5.Internet de erviços

É a utilização de um conjunto de programas que forme um arcabouço capaz de utilizar a Internet de serviços (Youtube, e-mail, Facebook, Instagram, entre outros) como uma ferramenta a mais durante o processo de produção.

6.Interoperabilidade

Essa é a capacidade de comunicação entre sistemas, independentemente de haver similaridade entre eles. Funciona por meio da comunicação de programas de computadores durante o processo produtivo.

O resultado dessa comunicação é um menor consumo de matéria-prima, energia, menos desperdício e a possibilidade de personalização dos produtos.

Os 3 pilares

Indiscutivelmente, a Indústria 4.0 deve a sua consolidação aos avanços da Tecnologia da Informação e da engenharia de software. Estas, por sua vez, estão apoiadas nos avanços tecnológicos, especialmente nos avanços proporcionados pela introdução da informática em quase todos os segmentos da atividade humana.

No entanto, a Indústria 4.0 tem como base alguns pilares que, de certa forma, a caracterizam. E entre os principais, estão:

1.Segurança

Encurtar distâncias! Essa é, sem dúvida, uma das principais características da tecnologia da informática, que substitui, com competência, o que há de mais moderno em telecomunicação.

No entanto, à medida que aproxima os indivíduos, praticamente elimina a sua privacidade, tornando a segurança o “calcanhar de Aquiles” da informática e de todas as possibilidades que ela traz.

Com relação à Indústria 4.0, o desafio está em minimizar as falhas que podem comprometer o funcionamento e a intercomunicação entre as máquinas, permitir o controle dos impactos industriais, além de impedir o roubo ou desvio de informações estratégicas das empresas.

2.Internet das coisas

A Internet das coisas é, sem dúvida, a mais curiosa das possibilidades advindas da informática. Ela consiste na conexão com a Internet de móveis, equipamentos, automóveis e demais objetos que, por meio de dispositivos eletrônicos, podem funcionar com um simples comando de voz.

Ela faz parte de um sistema maior, chamado de sistemas “Cyber-físicos”. Um sistema que pode ser considerado a alma da Indústria 4.0, pois é o que define a nova forma de interação entre o homem e o meio físico, através de uma conexão com a Internet de alta potência.

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Um dos pilares da Indústria 4.0, a Internet das coisas, é a perfeita tradução da interação homem x máquina. 

3.Big Data Analytics

O Big Data pode ser definido como um imenso contingente de informações – à primeira vista indisciplinado e indecifrável, mas que, por meio do Big Data Analytics, pode ser, não só decifrado como transformado em informações valiosíssimas para uma empresa.

Logo, o Big DataAnalytics é isto: uma arquitetura especialmente projetada para receber esse imenso volume de dados e convertê-lo em informações relevantes para uma organização.

Na Indústria 4.0, o Big DataAnalytics fará uma espécie de conexão (por meio de sensores) entre essas informações e todas as etapas da produção, mantendo-as arquivadas no sistema de nuvem e compartilhando-as com a ajuda da Internet de erviços (redes sociais, por exemplo).

Quais são os impactos ambientais causados?

De um modo geral, é possível dizer que são positivos os impactos ambientais causados por essa nova indústria.

Desde um consumo mais racional de matéria-prima, passando pela significativa redução de resíduos industriais, até um ambiente mais favorável para a prática da Logística Reversa, são inúmeros os benefícios de uma indústria que tem como principal característica o uso da inteligência artificial, com consequente racionalização de todas as etapas do processo.

E entre esses principais impactos, estão:

  • Uma atualização da força de trabalho, graças às novas formas de exploração da natureza e da mão de obra. Uma questão polêmica, mas que para muitos especialistas é praticamente inevitável, na medida em que a inovação tecnológica e a digitalização priorizará a criatividade em detrimento das funções manuais e repetitivas.
  • Eficiência e racionalidade na utilização dos recursos. Estima-se que essa eficiência cresça na ordem de 3,2% ano ano. Isso significa menos matéria-prima sendo utilizada, redução do desperdício e, obviamente, redução do impacto industrial,– impacto tão bem caracterizado no descarte irresponsável de resíduos industriais no meio ambiente.

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Uma indústria com impactos positivos ao meio ambiente: é o que promete essa 4ª Revolução Industrial.
  • O design será parte do processo, e não mais uma atividade adicional, que geralmente exige gasto de tempo, recursos e demais ferramentas. Com isso, os módulos de produção tendem a funcionar com mais rapidez e com uma sensível redução das trocas de informações entre as cadeias logísticas. Isso entre outras coisas, representa maior eficiência ambiental para uma organização.
  • Eficiência energética, transformações demográficas, produção de resíduos urbanos (lixo), exploração de recursos, são apenas alguns dos principais dilemas para o homem do século XXI. A Indústria 4.0 afirma que pode ser uma aliada nesse combate, a partir da chamada “indústria limpa”, com o reaproveitamento de materiais entre as suas principais características.
  • Trabalho com maior qualidade e valor agregado, é uma das grandes promessas da 4ª Revolução Industrial. Nesse sistema, os horários de trabalho, assim como o modo de execução, podem ser bem mais flexíveis, com os funcionários sendo estimulados a executar trabalhos mais criativos e menos repetitivos.
  • Economia com combustíveis e demais recursos utilizados no transporte e movimentação interna de mercadorias. Isso pode ser alcançado, entre outras coisas, por meio da impressão 3D para a produção de materiais adicionais ou produtos feitos com as suas sobras.

Gestão ambiental

A gestão ambiental pode ser definida como uma série de ações tomadas por uma empresa, com o objetivo de diminuir os impactos industriais ao meio ambiente.

Por meio de leis e normas, como ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), ISO (InternationalOrganization for Standardization), EMAS (EcomanagementandAuditScheme), entre outras, as empresas são incentivadas a enquadrarem-se dentro das principais normas que regulam o nível de agressão das atividades industriais à natureza.

Os anos 90 trouxeram, além de avanços e novidades tecnológicas em todos os segmentos da atividade humana, uma preocupação cada vez mais acentuada com os impactos dessas atividades na natureza, e com o comprometimento da qualidade de vida das gerações futuras.

No entanto, trouxeram também uma aumento extraordinário de indivíduos com capacidade de consumir (e ainda bem mais exigentes), interessados em produtos personalizados, atendimento rápido (pra não dizer instantâneo), variedade e, principalmente, um equilíbrio entre preço e qualidade dos produtos.

Mas, então, como conciliar esse aumento significativo do consumo com os impactos negativos da indústria no meio ambiente?

Para muitos, a resposta é bastante simples: o incentivo cada vez maior a um tipo de indústria cujo principal personagem na produção seja a “Inteligência Artificial”. Essa seria, na opinião da maioria dos especialistas, a “válvula de escape”, o “desentrave”, capazes de solucionar esse dilema.

Essa é, segundo eles, uma indústria caracterizada pela racionalização do consumo de matéria-prima, água, energia elétrica, entre outros recursos que, a partir da digitalização dos processos (ao menos em tese), deixarão de ser (um dia) a base da produção de bens de consumo, para serem meros componentes acessórios.

Estudos revelam que em uma década cerca de 21,8% das empresas já utilizarão as ferramentas básicas de uma Indústria 4.0. Mas qual será as consequências disso? Deixe a sua opinião, em forma de um comentário, logo abaixo. E continue acompanhando as nossas publicações.

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